Medidor de pH para Cultivo: Guia Completo de Escolha Técnica
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O manejo correto da solução nutritiva e da água de rega é o alicerce biológico de qualquer colheita de alta performance, mas a incapacidade de monitorar a acidez com exatidão frequentemente gera diagnósticos equivocados. Quando as folhas apresentam clorose interveinal ou pontas queimadas, cultivadores inexperientes costumam presumir deficiência nutricional severa de ferro, magnésio ou cálcio, adicionando fertilizantes em excesso quando o problema reside exclusivamente no bloqueio de absorção radicular. Um medidor de ph preciso e calibrado é o único instrumento capaz de distinguir se um nutriente está ausente no substrato ou se permanece quimicamente indisponível porque a solução se afastou da faixa fisiológica ideal.
Neste guia técnico completo, examinamos a fundo a engenharia por trás da medição potenciométrica em cultivo protegido e solo vivo, detalhando os princípios físicos do eletrodo de vidro, os fatores determinantes na vida útil da sonda e os critérios práticos para selecionar o instrumento correto para sua rotina. Apresentamos uma análise comparativa aprofundada, desmistificamos os principais erros de conservação de sensores e analisamos o modelo em destaque cadastrado em nossa biblioteca técnica de equipamentos.
Sumário
- Como funciona o medidor de pH no cultivo de precisão
- O que avaliar antes de escolher o medidor de pH
- Erros comuns de quem compra o medidor de pH pela primeira vez
- Como montamos esta lista
- Modelos de medidor de pH que destacamos no mercado
- Protocolo de rotina: como calibrar e conservar o medidor de pH
- Perguntas frequentes sobre medidor de pH no cultivo
Como funciona o medidor de pH no cultivo de precisão
A determinação eletroquímica do potencial hidrogeniônico baseia-se no método potenciométrico, medindo a diferença de potencial elétrico estabelecida através de uma membrana de vidro seletiva a íons de hidrogênio. Ao contrário de fitas reagentes colorimétricas ou gotas líquidas indicadoras, que oferecem apenas aproximações subjetivas dependentes da percepção visual do operador, um medidor de ph digital traduz uma grandeza eletroquímica contínua em uma leitura numérica direta em milivolts (mV), convertida matematicamente pela escala logarítmica de pH.
O coração do instrumento é o eletrodo combinado, que abriga dois sistemas eletroquímicos em um único corpo compacto: o eletrodo indicador de vidro e o eletrodo de referência interno. O bulbo indicador consiste em uma esfera de vidro de silicato de composição especial, enriquecido com óxidos de lítio ou sódio, cuja superfície externa precisa permanecer permanentemente hidratada para sustentar uma camada de gel microscópica de aproximadamente dez a cem nanômetros de espessura.
Quando imerso em solução aquosa de fertirrigação, ocorre uma reação de troca iônica reversível entre os cátions alcalinos da matriz vítrea e os prótons de hidrogênio livres presentes na água. Essa migração diferencial gera uma carga superficial que estabelece um potencial elétrico de fronteira proporcional à atividade dos íons hidrogênio no meio externo.

Simultaneamente, o eletrodo de referência interno — tipicamente formado por um filamento metálico de prata revestido por uma camada insolúvel de cloreto de prata (Ag/AgCl) e mergulhado em um eletrólito saturado de cloreto de potássio (KCl) a 3 mol/L ou 3,5 mol/L — mantém um potencial elétrico rigorosamente constante, invariável e independente do nível de acidez da amostra.
Para fechar o circuito elétrico de medição, o eletrólito interno precisa estabelecer contato iônico com a solução externa através de uma junção porosa, que pode ser cerâmica, de teflon ou de fibra sintética. Esse fluxo contínuo e microscópico de eletrólito através da junção líquida permite que o voltímetro de alta impedância interna do medidor de ph registre a diferença de potencial entre a meia-célula de vidro e a meia-célula de referência com precisão micrométrica.
Essa relação eletroquímica fundamental é governada matematicamente pela Equação de Nernst. Sob a temperatura de referência de 25 graus Celsius (298,15 Kelvin), a inclinação teórica da resposta do eletrodo é de exatamente 59,16 milivolts por unidade de pH. Em uma solução neutra com pH 7,00, a diferença de potencial gerada entre os dois eletrodos é idealmente de zero milivolts, definindo o ponto isotérmico do sistema.
Quando o líquido se torna ácido (pH abaixo de 7,00), a concentração de prótons aumenta e gera um potencial elétrico positivo; quando o meio se torna alcalino (pH acima de 7,00), o potencial inverte-se para valores negativos. O microcontrolador do medidor de ph mede esse sinal elétrico diminuto, cuja resistência interna ultrapassa frequentemente 100 megaohms, e calcula a acidez real da solução instantaneamente.
Contudo, a inclinação de Nernst não é fixa: ela varia diretamente com a temperatura absoluta da água. A 10 graus Celsius, cada variação unitária de pH gera cerca de 56,18 milivolts, enquanto a 35 graus Celsius essa mesma unidade gera 61,14 milivolts. Além da inclinação térmica, o desgaste natural da membrana vítrea, incrustações de matéria orgânica e a diluição lenta do eletrólito de referência provocam o chamado desvio de offset (deslocamento do ponto zero) e redução da inclinação percentual (slope). Em sondas novas, a inclinação situa-se entre 95% e 102% do valor teórico de Nernst; quando cai abaixo de 85%, o sensor torna-se instável e incapaz de sustentar leituras confiáveis em rotinas agronômicas.
Em ambientes de cultivo protegido, hidroponia e rega técnica, a disponibilidade de macronutrientes primários (nitrogênio, fósforo e potássio), macronutrientes secundários (cálcio, magnésio e enxofre) e micronutrientes essenciais (ferro, manganês, zinco, boro e cobre) varia drasticamente com pequenas oscilações de pH. Entre 5,5 e 6,5 na hidroponia e substratos inertes como fibra de coco, ou 6,0 e 7,0 no cultivo em solo orgânico, as raízes encontram a faixa bioquímica perfeita de absorção iônica. Desvios sutis de apenas meio ponto na escala já são suficientes para precipitar fosfatos insolúveis com íons de cálcio ou bloquear a quelação do ferro, provocando necroses e queda vertiginosa no rendimento das plantas.
O que avaliar antes de escolher o medidor de pH
A aquisição de um medidor de ph para rotinas de cultivo não deve ser pautada exclusivamente pelo preço de prateleira, pois a confiabilidade metrológica e a durabilidade do eletrodo determinam se o equipamento será um aliado diário ou uma fonte permanente de leituras falsas. Para selecionar o instrumento adequado às suas exigências técnicas, recomendamos analisar cinco critérios essenciais de engenharia e operabilidade.
1. Exatidão instrumental e resolução da escala
A ficha técnica de qualquer instrumento confiável discrimina dois parâmetros cruciais que frequentemente confundem os compradores: resolução e exatidão. A resolução indica o menor incremento exibido no visor digital (por exemplo, 0,1 pH ou 0,01 pH). Já a exatidão (ou precisão declarada pelo fabricante) representa o desvio máximo esperado em relação ao padrão metrológico verdadeiro (como mais ou menos 0,05 pH ou mais ou menos 0,1 pH). Para cultivadores amadores de plantas ornamentais em vasos com terra, uma exatidão de mais ou menos 0,1 pH costuma ser suficiente para evitar problemas graves.
No entanto, para sistemas de fertirrigação recirculante, hidroponia NFT ou aeroponia, onde uma oscilação rápida pode estressar o sistema radicular em poucas horas, é fundamental optar por um medidor de ph que assegure exatidão de pelo menos mais ou menos 0,05 pH com resolução de centésimos, permitindo identificar tendências antes que se tornem bloqueios nutricionais.

2. Compensação automática de temperatura (ATC)
A temperatura exerce influência direta e incontornável no comportamento físico-químico dos eletrodos de vidro. Conforme previsto pela constante térmica na Equação de Nernst, a resposta de milivoltagem por unidade de pH aumenta com a elevação da temperatura do líquido: a 10 graus Celsius a inclinação é de cerca de 56,18 mV por ponto de pH, enquanto a 30 graus Celsius essa inclinação atinge 60,15 mV por unidade.
Um medidor de ph dotado de compensação automática de temperatura (sensor ATC integrado) mede a temperatura do líquido simultaneamente e recalcula eletronicamente o coeficiente de inclinação de Nernst em tempo real. Instrumentos desprovidos de ATC exigem que o cultivador realize medições rigorosamente a 25 graus Celsius ou aplique tabelas manuais de correção, o que se mostra completamente inviável no calor de estufas ou reservatórios externos de irrigação.
3. Tipo de eletrodo e facilidade de substituição
O bulbo de vidro e a junção eletrolítica são consumíveis perecíveis por natureza. Mesmo com manutenção zelosa, a hidratação do vidro sofre desgaste químico gradual e o eletrólito interno de cloreto de potássio dilui-se ou contamina-se com íons da solução de adubação ao longo dos meses. Modelos ultraeconômicos do tipo caneta costumam trazer eletrodos selados e inseparáveis da carcaça plástica; quando a sonda atinge o fim de sua vida útil, todo o aparelho precisa ser descartado.
Em contrapartida, instrumentos de padrão profissional ou semi-industrial possuem conectores universais BNC ou roscas estanques modulares, permitindo a troca rápida apenas da sonda de vidro por uma fração do valor de um aparelho novo. Outro aspecto técnico relevante é a presença de junção dupla (double junction), que adiciona uma barreira eletrolítica extra para proteger o filamento de prata contra envenenamento por sulfatos e metais pesados comumente presentes em fertilizantes quelatizados.
4. Pontos e procedimento de calibração
Nenhum medidor de ph sai de fábrica calibrado para sempre. A resposta do sensor sofre deriva inevitável por envelhecimento natural do vidro, flutuações de temperatura e depósitos salinos na junção de referência. Portanto, o método de ajuste é um diferencial de produtividade. Equipamentos básicos exigem calibração analógica com pequenas chaves de fenda em potenciômetros mecânicos traseiros, procedimento lento e suscetível a erros mecânicos. Modelos modernos incorporam calibração digital automática por botão, reconhecendo automaticamente padrões químicos tampão de pH 4,01, pH 6,86 ou 7,00 e pH 9,18 ou 10,01. Instrumentos com calibração de dois ou três pontos oferecem linearidade de resposta muito superior em toda a faixa ácida e neutra utilizada no manejo de fertirrigação.
5. Vedação da carcaça e proteção contra umidade
O ambiente de cultivo é intrinsecamente úmido, repleto de respingos de reservatórios, condensação de desumidificadores e acidentes com quedas na água. Um instrumento com classificação de proteção insatisfatória (sem certificação IP65 ou IP67) pode sofrer infiltrações no compartimento de baterias ou na placa de circuito impresso com facilidade. Escolher um medidor de ph com anéis de borracha o-ring de vedação estanque na tampa e compartimento blindado garante durabilidade aos circuitos lógicos mesmo sob rotinas pesadas de trabalho no viveiro ou tenda de cultivo.
A tabela comparativa a seguir sintetiza as principais diferenças construtivas entre as três classes de instrumentos encontradas no mercado brasileiro, facilitando a visualização dos recursos indispensáveis para cada perfil de usuário:
| Categoria do Aparelho | Exatidão Declarada | Sistema de Calibração | Tipo de Sonda | Compensação ATC | Perfil de Cultivo Indicado |
|---|---|---|---|---|---|
| Caneta Básica Digital | ±0,1 a ±0,2 pH | 1 ou 2 pontos (manual ou digital) | Fixa / Não substituível | Básica (0°C a 50°C) | Iniciantes em vasos e pequenos reservatórios |
| Caneta Técnica Selada | ±0,05 a ±0,1 pH | 2 a 3 pontos com autorreconhecimento | Substituível ou modular | Avançada de alta resposta | Cultivo intensivo indoor e estufas semi-profissionais |
| Instrumento de Bancada / Cabo BNC | ±0,01 a ±0,02 pH | 3 a 5 pontos com memória de calibração | Sonda externa com conector BNC | Sonda de temperatura independente | Laboratórios de análise de fertirrigação e hidroponia comercial |
Erros comuns de quem compra o medidor de pH pela primeira vez
A maioria das queixas sobre aparelhos que “perderam a calibração em três dias” ou “apresentam leituras malucas” decorre de equívocos operacionais no manuseio cotidiano, e não necessariamente de defeitos de fabricação. Compreender as vulnerabilidades do sensor eletroquímico evita frustrações e despesas precoces com novas aquisições de peças de reposição.
1. Armazenar a sonda seca ou em água destilada
O erro mais recorrente e destrutivo cometido por iniciantes é guardar o bulbo do medidor de ph completamente seco ou imerso em água destilada, desmineralizada ou de osmose reversa. A membrana de vidro necessita estar constantemente hidratada para manter sua camada iônica ativa. Se deixada seca, o tempo de resposta do sensor torna-se intoleravelmente lento e o eletrodo desidrata.
Pior ainda é o uso de água destilada pura para estocagem: como a água pura não possui sais dissolvidos, ocorre uma pressão osmótica severa que lixivia o eletrólito concentrado de cloreto de potássio (KCl) de dentro do eletrodo de referência através da junção porosa, destruindo a química interna do sensor em poucas semanas. A tampa de proteção deve ser guardada sempre com algumas gotas de solução específica de armazenamento (KCl a 3M ou tampão pH 4,00).
2. Inserir eletrodos de solução diretamente em solo seco e compacto
Sensores tipo caneta comercializados para soluções aquosas possuem bulbos de vidro esféricos extremamente finos e frágeis. Forçar esse tipo de medidor de ph diretamente na terra compactada de um canteiro ou vaso quebra o bulbo instantaneamente ou obstrui de forma permanente a junção cerâmica microscópica com partículas de argila e matéria orgânica. Para medir o pH do solo com instrumentos líquidos, o método correto é preparar uma pasta saturada ou suspensão de solo em água desmineralizada na proporção técnica adequada (1:2,5 ou 1:1, conforme protocolos agronômicos da Embrapa), filtrar o sobrenadante e então imergir o sensor no líquido resultante.
3. Confiar em espetos de duas hastes sem baterias
Um dos mitos mais nocivos do mercado de instrumentos de cultivo é o chamado medidor analógico de duas hastes metálicas que promete aferir pH, umidade e luminosidade sem precisar de bateria ou pilhas. Esses aparelhos não são medidores de potencial hidrogeniônico verdadeiros; eles operam como uma célula galvânica primitiva medindo a diferença de potencial elétrico entre duas hastes de metais dissimilares (como cobre e alumínio) sob a condutividade da umidade do substrato. Se o solo estiver salino ou seco, o ponteiro oscila sem qualquer relação com a concentração real de íons hidrogênio. Investir em um medidor de ph digital legítimo com eletrodo de vidro é o único caminho para obter leituras com valor agronômico real.

4. Limpar o bulbo de vidro esfregando papel ou toalha
Ao retirar o instrumento da solução de adubação após uma checagem de rotina, muitos cultivadores esfregam vigorosamente a ponta de vidro com papel toalha ou tecidos secos para secá-la. Essa fricção mecânica gera duas consequências danosas imediatas: cria cargas eletrostáticas estáticas na carcaça plástica e no vidro (fazendo os dígitos do visor oscilarem descontroladamente por minutos) e risca a camada superficial de gel hidratado do bulbo. O procedimento correto de limpeza consiste em enxaguar a sonda com jato suave de água destilada e apenas encostar levemente um papel absorvente na carcaça para recolher o excesso de gotas, mantendo o vidro intocado.
5. Tentar medir amostras sem condutividade mínima
Outro comportamento comum que confunde usuários é tentar testar a calibração de um novo medidor de ph mergulhando-o diretamente em um copo de água destilada ou desmineralizada de alta pureza. Águas ultra puras possuem condutividade elétrica próxima de zero e força iônica desprezível. Sem íons suficientes para transportar corrente elétrica entre o eletrodo indicador e a junção de referência, a resistência do circuito dispara e o medidor apresenta leituras flutuantes intermináveis, que variam apenas com a respiração do operador (devido à absorção imediata de dióxido de carbono do ar). A aferição de exatidão de qualquer medidor de ph deve ser feita exclusivamente em soluções tampão formuladas com sais de força iônica controlada.
Como montamos esta lista
Para estruturar este guia e destacar equipamentos relevantes, analisamos detalhadamente as especificações técnicas declaradas pelos fabricantes de instrumentos de bolso e de bancada, com foco em exatidão, faixa de leitura, robustez do corpo e praticidade no processo de calibração. Avaliamos também a consistência dos relatos de compradores e profissionais que utilizam medidores em rotinas diárias de fertirrigação e hidroponia.
A seleção considera especificações declaradas pelos fabricantes e avaliações de compradores verificados. Não realizamos testes laboratoriais nem adquirimos os equipamentos citados.
Modelos de medidor de pH que destacamos no mercado
Com base em nossa triagem de instrumentos comercialmente disponíveis e verificados em catálogo técnico, selecionamos o modelo em destaque para quem busca iniciar o monitoramento com um pacote completo de suporte para calibração inicial sem complexidade.
1. Medidor de pH Digital Tipo Caneta com Estojo e Soluções
Este instrumento do tipo caneta portátil destaca-se por reunir os acessórios fundamentais para a primeira calibração em um kit pronto para uso, resolvendo a dor imediata do cultivador que não dispõe de reagentes prévios em sua bancada. Conforme a ficha técnica fornecida pelo fabricante, o aparelho conta com visor LCD frontal de boa leitura, resolução de 0,01 pH e compensação automática de temperatura (ATC) operando na faixa básica de zero a cinquenta graus Celsius. A carcaça compacta de bolso acompanha estojo rígido de transporte, baterias inclusas e sachês com pós para preparo das soluções tampão de calibração em água desmineralizada.
Entre os relatos de compradores verificados em marketplaces, o modelo é frequentemente elogiado pela praticidade de ajuste rápido e pela resposta estável quando manuseado em soluções de fertirrigação aquosa. Por se tratar de um medidor de ph com eletrodo selado não removível, seu uso ideal concentra-se em cultivadores domésticos ou pequenos produtores que necessitam de checagens diárias rápidas em baldes e reservatórios de rega, exigindo cuidados rigorosos com a hidratação da tampa para preservar a durabilidade do bulbo sensor.
- Resolução de pH precisa de 1 para medições confiáveis em qualquer lugar.
Protocolo de rotina: como calibrar e conservar o medidor de pH
Mesmo o instrumento mais avançado e sofisticado entrega leituras incorretas se o protocolo metrológico de calibração não for seguido com disciplina. A calibração nada mais é do que informar ao software interno do medidor de ph qual é a inclinação real da curva de milivoltagem que a sonda está gerando naquele momento específico. Recomendamos seguir o passo a passo a seguir ao menos uma vez a cada quinze dias em rotinas normais, ou semanalmente sob uso intensivo de fertirrigação:
- Preparo das soluções de calibração: Utilize sempre água desmineralizada ou destilada fresca a 25 graus Celsius para diluir os sachês de sais tampão (pH 4,01 e pH 6,86 ou 7,00) em frascos limpos e identificados com rótulos. Nunca calibre mergulhando o aparelho diretamente no frasco principal de estoque para não contaminar a solução; verta uma pequena alíquota em um copinho descartável e descarte-a após a operação.
- Limpeza preliminar: Enxágue a ponta do sensor com água destilada para remover quaisquer resquícios químicos da medição anterior e remova o excesso de água encostando suavemente um papel absorvente na carcaça.
- Ajuste no ponto neutro (pH 7,00 ou 6,86): Mergulhe o eletrodo na primeira solução tampão neutra, agite suavemente em círculos para eliminar bolhas de ar presas ao vidro e aguarde a leitura estabilizar por trinta segundos. Pressione o botão de calibração digital automática ou ajuste o parafuso potenciométrico traseiro até que o visor marque com precisão o valor nominal do padrão.
- Ajuste no ponto ácido (pH 4,01): Lave novamente a sonda com água destilada e transfira-a para a solução de pH 4,01. Esse segundo ponto é o mais importante para cultivadores, pois a quase totalidade das soluções nutritivas de cultivo situa-se na faixa entre 5,5 e 6,5. Ao calibrar em pH 7 e pH 4, o microprocessador do medidor de ph traça a inclinação angular exata de resposta para a faixa ácida de trabalho.
- Armazenamento com solução de proteção: Ao finalizar a sessão de aferição, nunca guarde o instrumento com resíduos de adubo. Enxágue abundantemente o bulbo com água desmineralizada, pingue duas a três gotas de solução de cloreto de potássio (KCl 3M) na espuma localizada no interior da tampa protetora e tampe o aparelho firmemente.
Para cultivadores que gerenciam tanques maiores, é altamente recomendável correlacionar as leituras de acidez com a temperatura geral e a condutividade elétrica do sistema. Em nosso site, você também encontra guias detalhados sobre o uso de termômetros de solo, o papel do condutivímetro EC no cultivo e como monitorar a intensidade luminosa com luxímetros para cultivo indoor.
A conformidade metrológica dos métodos analíticos de acidez é regulamentada por entidades científicas de referência global, como o National Institute of Standards and Technology (NIST), que padroniza os potenciais de calibração de eletrodos de vidro. No Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) estabelece critérios de rastreabilidade de medição para instrumentos eletroquímicos, enquanto a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) publica normas consolidadas sobre o impacto do pH do solo e da água na assimilação fisiológica de nutrientes pelas plantas cultivadas.
Perguntas frequentes sobre medidor de pH no cultivo
Qual é a diferença entre um medidor de pH com resolução 0,1 e 0,01?
A resolução diz respeito ao número de casas decimais exibidas no mostrador digital do equipamento. Um medidor de ph com resolução de 0,1 exibe valores como 6,2 ou 6,3, enquanto um instrumento com resolução de 0,01 apresenta leituras detalhadas como 6,25. Para sistemas em solo, a resolução de um décimo costuma ser aceitável, mas em hidroponia e substratos inertes a resolução de 0,01 é altamente recomendada para acompanhar tendências graduais de acidificação da solução nutritiva com maior sensibilidade.
Por que meu medidor de pH demora tanto para estabilizar a leitura?
A demora na estabilização de leitura decorre majoritariamente de ressecamento da membrana de vidro do eletrodo, entupimento parcial da junção cerâmica por sais acumulados ou diferença brusca de temperatura entre o sensor e a água da rega. Deixar o medidor de ph descansando em solução de armazenamento de cloreto de potássio (KCl 3M) por algumas horas regenera a camada de gel e devolve a agilidade de resposta ao instrumento.
Posso usar água mineral ou água da torneira para calibrar o medidor de pH?
Não. Água de torneira ou água mineral contém minerais, cloro, carbonatos e sais dissolvidos em proporções desconhecidas que neutralizam e alteram a composição química dos padrões tampão. A dissolução dos sachês químicos de calibração deve ser realizada estritamente com água destilada ou desmineralizada de alta pureza, garantindo que o medidor de ph receba uma referência eletroquímica exata e sem interferências de íons contaminantes.
O que significa a sigla ATC no medidor de pH?
ATC significa Automatic Temperature Compensation, ou compensação automática de temperatura. Trata-se de um recurso essencial no qual um sensor térmico interno afere os graus Celsius da solução simultaneamente e recalcula o valor em milivolts da resposta do eletrodo de acordo com a Equação de Nernst. Isso assegura que o medidor de ph informe o valor verdadeiro sem necessidade de consultar gráficos de correção manual.
Quanto tempo dura o eletrodo de vidro de um medidor de pH?
A vida útil média de um eletrodo de vidro combinado varia entre um e dois anos sob uso regular, dependendo diretamente do rigor da conservação e da agressividade química das soluções medidas. O envelhecimento natural do vidro e a diluição do eletrólito de referência fazem com que o medidor de ph perca sensibilidade progressivamente até não conseguir calibrar dentro da inclinação padrão aceitável pelo microprocessador.
Posso lavar o medidor de pH com sabão ou detergente comum?
Detergentes e sabões comuns contêm tensoativos, fragrâncias e compostos alcalinos que aderem à superfície porosa da cerâmica e criam películas oleosas sobre o bulbo de vidro. A limpeza rotineira do medidor de ph deve ser feita unicamente com jatos generosos de água destilada. Em casos extremos de contaminação por óleo de neem ou nutrientes orgânicos, utiliza-se solução de limpeza enzimática própria para eletrodos laboratoriais.
O que fazer se o medidor de pH não aceitar a calibração no ponto 4 ou 7?
Quando o aparelho falha ao calibrar nos pontos nominais, as causas mais prováveis são solução tampão velha ou contaminada, pilhas fracas gerando instabilidade na leitura de milivoltagem ou bulbo desidratado e sujo. Substitua as baterias, prepare novas soluções tampão com água desmineralizada e deixe a sonda em repouso em solução de KCl 3M antes de reiniciar a rotina com seu medidor de ph.
